quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Mas o que detesto mais é a falta do total controle.

Detesto o que acontece comigo quando nossos olhos se encontram. Não suporto nem lembrar.
Não aguento a sensação angustiante que é te olhar e inevitávelmente te sentir, tudo ao mesmo tempo.
Olhar teus braços e senti-los me envolvendo, me protegendo e assim reduzindo a galáxia a poeira cósmica.
Olhar teus olhos e sentir o peso deles sobre mim. Sobre os meus. Me fitando. Me submetendo. Pensando.
Ouvir sua voz e me recordar das coisas que me disse. De como seu sorriso soa nos meus tímpanos. De como soa na minha boca.
Não conseguir deixar de achar graça em como você existe.
Detesto não me arrepender sinceramente sequer de me lembrar, menos ainda de não me sentir mal com todas as lembranças. Pior, de me sentir bem com uma parte delas.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Carta àquele que me assombra.

Querido Meu Fantasma,

Eu achei, realmente acreditei por um breve momento que me pareceu eterno, que eu NUNCA poderia te odiar.
Que jamais te odiaria.
Provei então, que o erro é natural ao ser humano.
E agora eu entendo quando ouço o por aí que o amor é o sentimento mais próximo do ódio.
Amo-te tanto e te odeio igualmente. Muito.
O que fazer com a vontade de te matar? Com o desejo esmagador de sufocar tudo que em você me desperta amor e consequentemente o ódio. Te odeio porque te amo.
Meu ódio então precisando cometer um suicídio indireto morreria uma vez que assassinaria o amor.
Meu ódio mataria você, seu sorriso, seu corpo, seu cheiro, seu jeito e sua voz. E começaria pelas principais partes que me fazem sentir o estômado nos joelhos e no lugar dele um buraco negro que suga todo o calor, a luz, o sangue, a força e a energia do meu corpo.
Detetizaria sua presença, a perturbação e o mal estar que ela me causa. Sua presença e seus piolhos que me cansam te ver coçar.
Mas sob as botas do meu ódio você não estaria sozinho. Teria a companhia agradável do meu ciúme, da minha infelicidade, dos meus constantes e cortantes pensamentos, dúvidas, insegurança e todos esses efeitos que você causa em mim.
De forma clara terminaria linda a nossa história do ódio que extinguiu o amor e morreu também, sem ter motivos para existir.
E melhor que nada, terminaria.
Sem me dizer inteiramente contente com isso digo que, melhor que continuar assim, ela terminaria.
E para você, querido espectro, que não percebe ou finge não perceber nada, seria tudo fácil como sempre é ou finge ser.

Com nossos beijos sem cor que insistem em me assombrar os pensamentos eu me despeço e só desejo que você... leia essa carta.

Fernanda.

sábado, 15 de setembro de 2007

Sobredosis

Por que ter que provar para de verdade esquecer?

Talvez para desmistificar o amor platônico. Para certificar-se se a realidade exede expectativas ou se é decepcionante.
Ou como comigo, cujo lado leão estava só se fingindo de adormecido, quando na verdade só aguardava o melhor momento para atacar a presa.
Se fingia desconexo, se fingia desapegado depois de uma tentativa frustrada, mas, só o seu mais profundo íntimo conhecia suas reais estratégias de caça.
Pela vontade de comer ter profundidade e intensidade capazes de superar as meras necessidades e fazer parte de sua existência, embora não houvesse fome ele abocanhou a presa.
Da presa comeu o quanto pode e apesar de cauteloso, quando se viu, sofria de uma imensa indigestão.
Mais que de indigestão sofria a pena, o arrependimento de ter devorado uma espécie que já há tempos lhe dava sinal de não estar em seu menu. A culpa de ter sido tão pouco racional, de ter se deixado seduzir pela atratividade do prato.
Em suma o meu leão usou heroína, despenhou de prazer, teve uma bad trip e agora está constipado.
Procura urgente uma clínica de reabilitação e enquanto não encontra utiliza de métodos caseiros.
E promete, para si e para quem for, que nunca mais usa uma droga que lhe dê sequer um vislumbre de overdose.



quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Como começa, de onde começa.

Talvez isso comece com a vontade utópica de ter uma coluna semanal onde eu poderia escrever tudo o que eu quisesse e como eu quisesse e assim quem sabe, tocar algumas pessoas.
Talvez seja também o desejo de desenvolver uma habilidade, no caso a da escrita. Ou finalmente, por ter algo que me intensione a gritar loucamente.
Claro que podem ser todas essas coisas juntas embora a história da coluna já esteja meio furada e eu saiba com certeza que racional e sentimentalmente a última opção seja a que mais me mova.
Porque é fato que eu sinto vontade de dizer ao papel tudo o que me passa quando estou confusa, alheia, trocada, rejeitada, enganada, traida, idiota, boba, tola, cansada, desanimada, desmotivada, errada, egoista, envergonhada, isolada, provocada, ignorada, usada, puta, irraivecida, odiando, odiada, presa, angustiada, depressiva, agoniada, suja, arrependida, perdida, despreparada, sufocada, afogada, queimada, morta, machucada, cheia, invisível, rebaixada, envergonhada, amarrada, pressionada, pesada, conturbada, insatisfeita, mal, triste, louca, livre, amada, amando, satisfeita, realizada, reconhecida, compreendida, traduzida, completa, maior, melhor, bem, boa, inteligente, querida, admirada, elogiada, pensante, bonita, gostada, única, exclusiva, poderosa ou sentindo aquela alegria que não cabe. Deixo ou me esqueço de falar dos dias quentes e dourados, da gentileza do vizinho ou da chuva oportuna que cai quando precisamos nos refrescar ou ter uma boa noite de sono, para falar de sentimentos.
Eu, toda durona, declaro que gosto mesmo de falar de amor, de ódio, de todas as formas de amar e odiar e de todas as maneiras mais profundas de sentir.
E daí mesmo começa.

EU QUEM:

Minha foto
Paulicentro desvairadíssimo, Brazil